A privatização no Brasil: uma história de mentiras, catástrofes e tragédias

privatização no Brasil tragédiasA discussão em torno das privatizações e do fatiamento e venda de estatais brasileiras atingiu o seu pico na década de 1990 aqui no Brasil. O governo Collor e o governo Fernando Henrique Cardoso  (recordista em privatizações) juntos representaram o avanço do modelo econômico chamado de neoliberal que, de forma resumida, defende a ideia de que as pessoas só podem ter acesso àquilo que podem pagar (inclusive direitos básicos, como saúde e educação).

Naquele período, dezenas de estatais foram privatizadas a valores muito baixo, fazendo a alegria principalmente do capital estrangeiro. Muitas delas, extremamente valiosas e lucrativas, foram vendidas por menos de 10% do seu valor de mercado.

Há casos em que o valor de venda foi pouco superior ao seu lucro anual. Ou seja, já no ano seguinte a privatização representou imensos prejuízos financeiros ao país.

Eram empresas que poderiam ter ajudado o Brasil a dar saltos maiores de desenvolvimento e colocar o nosso país no cenário econômico de diversos setores.

Nas gestões seguintes, entre 2003 e 2016, os projetos de privatização de grandes estatais foram gradativamente enfraquecidos, apesar da pressão de setores oportunistas.

A partir do governo de Michel Temer, as ameaças de privatização, principalmente no setor energético brasileiro, voltaram à tona e se materializaram.

 

Petrobras sempre na mira

No auge das privatizações dos anos 1990, enquanto liquidava o Brasil, o governo FHC tentou entregar a Petrobras para o capital estrangeiro. Chegou até a tentar trocar o nome da estatal, acrescentando a letra X porque consideravam que seria mais fácil de pronunciar em inglês: Petrobrax.

A tentativa vergonhosa não deu o resultado esperado pelo governo, para sorte do Brasil, já que os governos seguintes transformaram a Petrobras em uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, principalmente após a descoberta do Pré-sal (camada de petróleo em águas profundas, abaixo da camada de sal no fundo do oceano).

O governo de Jair Bolsonaro retomou a mesma estratégia que já deu errado no passado. Ora fala em privatizar a Petrobras como um todo, ora fala em privatizar em partes, principalmente entregando subsidiárias e refinarias, que são tão essenciais para a economia nacional.

 

Péssimos exemplos

Há uma abundância de exemplos negativos e recentes que ilustram os prejuízos do projeto fracassado das privatizações no Brasil.

Vejamos o caso da crise elétrica no Amapá, por exemplo. O apagão no estado, em novembro de 2020, causou ao menos 8 mortes, em meio ao descaso das autoridades. Tudo isso ocorreu porque a empresa a Gemini Energy (estrangeira e privada), responsável por suprir 14 municípios, não tinha equipamentos para solucionar a crise, depois de um incêndio em uma das subestações. Foram 22 dias de escuridão.

No final das contas, foi a Eletrobras (que é estatal e também está ameaçada de privatização) que socorreu o estado, mobilizando as suas unidades termelétricas, com a ajuda de outra estatal, a Eletronorte.

É importante lembrar dos crimes da Vale nas cidades mineiras de Mariana e Brumadinho, que causaram a morte de mais de 300 pessoas (dezenas estão desaparecidas). Os ecossistemas das regiões afetadas demorarão décadas para serem recuperados. Nada assim havia acontecido enquanto ela era estatal.

Os impactos desumanos das privatizações atingiram também outros estados brasileiros. Em julho de 2018, a Companhia Energética do Piauí (Cepisa) foi vendida para a empresa privada ‘Equatorial Energia’ por um valor simbólico de R$ 45,5 mil. Já em outubro daquele ano, 1.500 trabalhadores concursados foram demitidos e os consumidores finais acabaram amargando um aumento de 40% em suas tarifas. Para piorar, o estado ainda foi atingido por um apagão que se espalhou por vinte cidades diferentes por mais de 65 horas.

O estado de Goiás também sofreu depois que a Companhia Energética do estado (Celg) foi vendida para a italiana Enel, ainda sob o governo Michel Temer. Mais de 110 mil pessoas em 11 municípios foram atingidas por outro apagão.

Esses casos são repetições da política implementada nos anos 1990 e que causaram o “apagão do Governo FHC”. Segundo a própria Eletrobrás, foi a maior crise energética da história do país, tanto em intensidade como em abrangência. O racionamento de 2001-2002 foi o resultado principalmente de uma política de desinvestimento no setor de distribuição de energia.

Atendendo aos interesses de setores privilegiados, o atual governo brasileiro segue repetindo a mesma história.

Essa escolha política e econômica não deu certo no passado, não está dando certo agora e trará grandes prejuízos para o Brasil no futuro.

 

 

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