Desintegração da Petrobras precisa ser revertida antes que empresa se apequene

A desintegração da Petrobras que está em andamento traz gigantescos riscos para a economia e para o Brasil. Deixá-la presa a apenas um segmento dentro da indústria petrolífera – extração e venda de petróleo cru, como pretende o atual governo – é uma medida economicamente arriscada e vai na contramão das empresas estrangeiras do mesmo segmento e porte.

Portanto não há nenhuma razão por parte da equipe econômica que não seja o desejo por um Estado mínimo, para que setores privados e o capital estrangeiro possam se apropriar das riquezas do Brasil.

O processo de desmonte está levando a estatal a um enfraquecimento, com a privatização de áreas vitais do negócio (BR Distribuidora, controle de Gaspetro, Liquigás, rede de gasodutos, petroquímicas e fertilizantes). Isso será bom apenas para os concorrentes estrangeiros.

Além disso, o governo pretende vender refinarias, burlando a legislação que impede a privatização das estatais que são empresas-mãe (como a Petrobras) sem o aval do Congresso. Para isso, pretende transformar as refinarias em subsidiárias.

 

Três tipos

Há três tipos de empresas petrolíferos. Há as empresas poderosas, integradas, diversificadas, de patrimônio imenso e atuação global. Fazem parte deste primeiro grupo empresas como a Shell, a Chevron, a BP, a Total e as estatais Equinor e Eni.

Há também as empresas unicelulares, menores, geralmente privadas, que operam em apenas um segmento. Estas são vulneráveis às variações do mercado.

E, finalmente, no terceiro grupo, grandes estatais de países árabes e da Venezuela, com grandes reservas em terra em seus países, além de empresas de Rússia e China, de atuação predominantemente interna, mas com ambições de subir para o primeiro grupo.

A Petrobras está no primeiro grupo, mas a desintegração acabará transformando em uma empresa do segundo tipo, frágil, como as empresas de exploração dos Estados Unidos que enfrentam risco de fechar pela crise do Coronavírus e a queda do preço do petróleo. Não é raro que as empresas do segundo grupo sejam compradas pelas do primeiro.

 

Desintegrar é destruir

A integração de setores de uma empresa de petróleo é como um corpo humano, com um órgão ajudando o outro a funcionar melhor e de maneira mais eficiente.

No setor petrolífero, a maior lucratividade de um segmento muda com muita rapidez. Ter várias áreas permite que a lucratividade de uma proteja possíveis prejuízos de outras. Do mesmo modo, há melhor aproveitamento vendendo derivados em vez de se exportar óleo cru (produtos complexos rendem mais sempre). E a integração facilita aproveitamento dos recursos extraídos e diminui custos.

As variações de rentabilidade no petróleo são tão bruscas que são capazes de riscar do mapa empresas de um só segmento durante crises. Isso ajuda a provar que nenhuma empresa é capaz de prever exatamente para onde vai o mercado em pouco tempo e por isso é prudente ter variedade.

Todas as grandes empresas mantêm de sete a dez áreas sabendo disso. Se há desinvestimento em uma área, ele nunca é por completo. Abandonar é arriscar a ficar à deriva, como na atual crise.

É por isso que a escolha do governo brasileiro, que pretende transformar a Petrobras em uma empresa unicelular, colocará em risco não apenas a estatal, mas o futuro do nosso país.

 

 

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