Desmonte da Petrobras vai acabar com a concepção “do poço ao posto” da empresa

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Desde a fundação da Petrobras que a ideia de autossuficiência de combustíveis está em pauta. Tanto que o termo “do poço ao posto” sempre fez parte da cultura e da política da empresa.

Mas por decisão dos governos Temer e Bolsonaro, essa concepção tem sido apagada dos objetivos da estatal nas suas últimas gestões.

O termo, que serve para descrever empresas da área de petróleo e gás verticalizadas, ou seja, que controlam sua própria cadeia de produção, desde a extração de petróleo cru, até o refino e distribuição nos postos, está sendo deixado de lado por um governo que deseja alinhar a Petrobras com os interesses do mercado privado, não do Brasil.

Uma das razões pela qual o brasileiro paga hoje tão caro pelos combustíveis está justamente no desprezo pelo papel da Petrobras como empresa estratégica para o país. Quando nossas refinarias não são entregues, como no caso da Refinaria Landulpho Alves Mataripe (RLAM), na Bahia, vendida pelo governo Bolsonaro por menos da metade de seu valor de mercado, elas estão operando propositadamente abaixo das suas capacidades.

Para se ter uma ideia, a utilização da capacidade instalada das refinarias chegou a 98,2% em 2013. Nos últimos anos essa capacidade tem oscilado entre menos 70%, em 2018, e menos de 80% no 1º trimestre de 2021.

Isso faz com que um país dono de uma das maiores reservas de petróleo do mundo tenha que comprar das multinacionais estrangeiras combustível refinado e outros produtos derivados de petróleo, e pagando caro por eles.

Para ter uma ideia dessa dimensão, 90% do diesel no Brasil é comprado dos Estados Unidos. Ou seja, ficamos reféns das decisões políticas e econômicas de um único país de quem compramos um combustível que é essencial para o transporte de cargas e passageiros.

 

Um mau negócio para empresa e para o Brasil

Depender unicamente do preço do barril de petróleo no mercado internacional tem se mostrado, frequentemente, um mau negócio.

Em abril de 2020, por exemplo, o preço do barril saiu a pouco mais de 18 dólares. Um ano antes, em 2019, o mesmo barril era comercializado por mais de 64 dólares. A oscilação nos preços é apenas um dos fatores que tornam esse modelo único de negócio desastroso porque os riscos são frequentes.

Se a Petrobras optar em ser uma mera produtora e exportadora de óleo cru, a primeira consequência será a exposição de volumosos investimentos à um mercado que sempre está variando muito.

Isso se torna ainda mais grave em uma realidade onde a descarbonização (ou seja, redução do uso de combustíveis poluentes) da economia ganha cada dia mais importância, com vários países aumentando suas fontes de energia renováveis como eletricidade, biocombustíveis e hidrogênio.

Enquanto outras grandes empresas petrolíferas do planeta estão ampliando a sua atuação para não ficar refém apenas de um determinado setor do mercado, o governo brasileiro faz com que a Petrobras encolha cada vez mais.

 

Uma ameaça a autonomia energética e à soberania nacional

O desmonte da Petrobras só interessa a quem a vê como um balcão de negócios, uma forma de enriquecimento privado às custas dos bens de uma nação.

O governo Bolsonaro, desde seu início, tem demonstrado imenso desejo de destruir uma empresa que é símbolo da soberania nacional e que estava ajudando a levar o Brasil rumo à independência energética.

Não faz sentido sermos dependentes de algo que somos autossuficientes somente pela ganância de empresas e descaso do governo com nosso patrimônio.

Isso precisa mudar. A Petrobras é do Brasil e dos brasileiros.

 

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