Estados Unidos usaram a Lava Jato para enfraquecer a Petrobras

EstadosUnidoseLavaJatoA operação Lava Jato, que enganou milhões de brasileiros, nunca teve como objetivo principal o combate à corrupção no Brasil. Seu principal propósito era interferir na vida política do país, para beneficiar determinados grupos de poder.

De quebra, também servia a outros propósitos, como garantir que a Petrobras não ameaçasse o poderio econômico dos Estados Unidos.

Foi o que o Brasil descobriu depois que mensagens reveladoras da organização comandada pelo juiz do caso – em conluio com membros do Ministério Público Federal – vieram à público, e por documentos do governo norte-americano.

Esta conclusão não é de nenhum partido político de esquerda, sindicato ou portal de notícias alternativo, mas do renomado jornal francês Le Monde Diplomatique.

Em reportagem publicada em abril de 2021, o jornal detalhou como funcionou a relação entre autoridades norte-americanas e procuradores e juízes brasileiros, que tiveram papel chave na operação.

Essa relação foi fundamental para o desenrolar da Lava Jato, que dinamitou parte significativa da cadeia produtiva brasileira, desgastou a imagem da Petrobras e assegurou que prevalecessem os interesses econômicos dos Estados Unidos no Brasil e na América do Sul.

Com procuradores e juízes, com tudo

Todo o processo começou ainda na primeira década dos anos 2000, quando os Departamentos de Estado e de Justiça norte-americanos e o FBI passaram a influenciar as estratégias de “combate à corrupção” que seriam adotadas pelo Brasil.

Foram realizados encontros, conferências e reuniões entre esses agentes e juízes, procuradores e policiais federais brasileiros (alguns deles minuciosamente escolhidos pelos Estados Unidos de acordo com o grau de simpatia pela “agenda”, como o ex-juiz Sérgio Moro) para apresentar alguns métodos “anticorrupção”.

A “cartilha” apresentada pelos norte-americanos incluía a flexibilização da necessidade de provas em casos de corrupção envolvendo figuras públicas; o uso indiscriminado de delações premiadas para forçar suspeitos a mentir em depoimentos e corroborar a “narrativa” dos investigadores e o compartilhamento de informações, e a coordenação das atividades da operação fora dos canais oficiais de comunicação.

(Qualquer semelhança com as características da Lava Jato NÃO é mera coincidência).

Além disso, por meio de muito lobby no Congresso Nacional, os Estados Unidos conseguiram que o Brasil aprovasse a lei chamada Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) que, na prática, permite que os EUA investiguem e punam fatos ocorridos em outros países.

Nesse ponto, já estava claro que o interesse dos Estados Unidos não era combater a corrupção no Brasil. A Lava Jato era uma oportunidade de defender o interesse dos norte-americanos.

Protagonismo destruído

Os EUA estavam preocupados com o protagonismo político e econômico do Brasil na América do Sul. Empresas públicas, como a Petrobras, e grandes empreiteiras brasileiras estavam se expandindo e ameaçando a soberania de setores econômicos dos Estados Unidos. A Lava Jato criou uma “tempestade perfeita” para acabar com isso.

Diferentemente do que acontece em outras democracias, quando uma empresa tem problemas e busca-se uma solução sem destruir a empresa e toda a cadeia produtiva ligada a ela, aqui no nosso país os objetivos eram outros: perseguir “adversários políticos”, enfraquecer o governo brasileiro (de Dilma Rousseff) e fragilizar a Petrobras.

Para isso, contaram com a ajuda da velha mídia para aterrorizar a população, dia e noite, para que as pessoas superdimensionassem o problema. Na sequência, passaram a fazer propaganda da Lava Jato, como se ela fosse a única solução para salvação do país.

E repetiram isso durante anos, requentando notícias quase todos os dias, dando destaque a delações “premiadas” (quando empresários acusados diziam qualquer coisa para aliviar suas penas, desde que agradassem aos interesses políticos da Lava Jato), geralmente sem provas, destruindo reputações (e vidas) e usando um apelo visual para criar um imaginário negativo sempre que a Petrobras aparecia em alguma notícia.

Apesar dos métodos ilegais e com viés políticos (agora comprovados pelo Supremo Tribunal Federal), como escutas telefônicas não autorizadas, acusações e condenações sem provas (“por fatos indeterminados”, segundo uma das sentenças), relações de mando entre magistrados e procuradores fora do processo (o que é vedado pela legislação) e intenções nada republicanas (procuradores queriam criar um instituto, usando suas esposas como laranjas, para usar parte dos recursos arrecadados na operação para pagar caríssimas palestras aos próprios procuradores), a imprensa “comprava” qualquer notícia divulgada (segundo uma assessoria do juiz do caso), ou seja, bastasse que os membros ou o juiz plantassem qualquer informação, era o suficiente para que a mídia desse amplo destaque.

A atuação política incluiu outros magistrados de processos e de esferas diferentes, que emitiram decisões apressadas (inclusive, com trechos copiados de outras sentenças) e fizeram “leituras” de milhares de páginas em poucos dias.

Além de jogar o Brasil em um abismo político, que depois desandou para um radicalismo inédito de parte da população (e que levará ainda muito tempo para o país se recuperar), o protagonismo da Petrobras foi minado pela operação Lava Jato.

O resultado para o Brasil? Milhares de fornecedores e de empresas prestadoras de serviço quebraram e parte significativa da cadeia produtiva brasileira se desmontou, acabando com mais de 4,4 milhões de empregos e causando uma perda de R$ 170 bilhões à economia.

Ou seja, o prejuízo causado foi mais de 30 vezes maior do que o montante que a operação diz que recuperou (até abril de 2021).

No “vácuo” de atuação deixada pela derrocada da Petrobras, os Estados Unidos passaram a atuar e garantiram sua soberania no Brasil e na América Latina (mas voltada apenas para seus próprios interesses).

E os governos que se seguiram (Michel Temer e Jair Bolsonaro) passaram a reduzir cada vez mais a importância da Petrobras, inclusive na exploração da riqueza vinda do petróleo do Pré-sal.

No final, quando estava comprovado que tudo não passou de um jogo de interesses políticos e econômicos, e as investigações começaram a resvalar em setores das elites, os próprios membros da operação fizeram uma debandada geral, soterrados pela vergonha e pela sequência de ilegalidades.

Ao cometer crimes para “combater crimes”, a Lava Jato perdeu a aura de “maior operação de combate à corrupção da história” para se tornar “o maior escândalo judicial da história do Brasil”. Quase levaram a Petrobras junto para o mesmo abismo.

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