Manter a Petrobras estatal é pensar em segurança ambiental

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O petróleo é naturalmente setor que traz riscos ao meio-ambiente. No entanto o trabalho sério de prevenção de riscos pode reduzir os impactos causados pela exploração do petróleo e gás.

Por ser estatal, a Petrobras é mais cobrada quanto a isso que uma companhia estrangeira seria. Por isso, ela passou a desenvolver projetos para reduzir a chance de desastres e impactos ambientais.

Vender a Petrobras colocaria em risco todo esse aprendizado e desenvolvimento de métodos menos agressivos, que passaram a servir de guia para a empresa.

E pelo fato de pertencer ao governo, novos problemas ambientais significam arranhões na imagem dos governantes perante a opinião pública.

Uma empresa estrangeira, sem toda a auditoria que a Petrobras passa, certamente não terá toda essa preocupação com os locais e comunidades em que está inserida, pois seus donos provavelmente nem conheçam os lugares onde os infortúnios podem acontecer.

Basta lembrar os desastres causados pela empresa Vale em Brumadinho e Mariana, que causaram a morte de centenas de pessoas e os impactos ambientais ainda serão sentidos por muitas gerações (no decorrer desse texto a gente falará mais sobre isso).

Prevenção

Além da prevenção de acidentes, a Petrobras também atua em outras frentes na política ambiental. Citaremos dois deles.

Um deles é relacionado com as mudanças climáticas. A Petrobras se propõe à redução de gases estufa, conciliando com crescimento do fornecimento de energia, preparando na transição energética que irá ocorrer nas próximas décadas.

O Plano de Negócios e Gestão 2019-2023 tem como meta ter 11% de investimento em soluções para uma matriz de baixo carbono.

A Petrobras também tem um programa de gestão de recursos hídricos. Em 2018, a empresa praticou reuso de 31,5% da água que consome, o equivalente a 84 milhões de metros cúbicos. A quantidade de água reutilizada é o suficiente para abastecer uma cidade do porte de Macaé por quatro anos seguidos.

Último grande acidente foi com empresa estrangeira

Para ter uma mostra de como seria o cuidado de companhias estrangeiras com o meio-ambiente, basta lembrar que o último grande derramamento de óleo do país foi por ato de uma gigante empresa privada norte-americana: a Chevron.

No dia 8 de novembro de 2011, houve o vazamento de 3,7 mil barris de óleo do Campo de Frade, na Bacia de Campos, durante perfuração pela empresa. A mancha de óleo chegou a 162 km², o equivalente a meia Baía de Guanabara. Foram registrados muitos animais mortos nas áreas afetadas. A petrolífera dos Estados Unidos foi condenada a pagar multa de R$ 95 milhões ao governo brasileiro pelo estrago.

Privatização da Vale foi prejudicial ao meio-ambiente

Outro setor da economia com grande impacto ambiental é a mineração.

O Brasil teve no passado uma companhia estatal, a Vale do Rio Doce. Em maio de 1997, ela foi privatizada, passando a se chamar apenas Vale.

Estão na conta da Vale, após a privatização, os dois maiores crimes ambientais recentes da história do Brasil, causando centenas de mortes e danos difíceis de recuperar às regiões afetadas.

Em 5 de novembro de 2015, na localidade de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, uma barragem de rejeitos de mineração da Samarco, empresa da qual a Vale é acionista, rompeu devido a erro de operação e negligência no monitoramento. Dezoito pessoas morreram e até hoje, cerca de 5 anos depois, uma segue desaparecida.

Os rejeitos entraram na bacia do Rio Doce, que nasce em Minas Gerais e corre para o mar através do estado do Espírito Santo. A lama altamente poluente prejudicou a flora, a fauna e o abastecimento de água de todas as regiões envolvidas.

Há registros de que a lama tóxica de Mariana tenha chegado no longínquo Arquipélago de Abrolhos, no sul do mar da Bahia.

Cerca de três anos e meio depois, no dia 25 de janeiro de 2019, um crime ambiental maior e mais trágico ocorreu em uma barragem da Vale na histórica cidade Brumadinho, também em Minas Gerais. O rompimento foi causado por novas falhas de segurança, que foram escondidas das autoridades antes do acidente. Foram 259 pessoas mortas e 11 que seguem desaparecidas.

Os rejeitos afetaram o Rio Paraopeba e atingiram a bacia do Rio São Francisco, principal curso d’água que chega à Região Nordeste. Vários distritos foram destruídos com a torrente de lama tóxica.

Em janeiro de 2020, dirigentes da Vale e da Tüv Süd — empresa alemã de consultoria de segurança — foram indiciados pelo ocorrido. O Ministério Público afirmou que as duas empresas agiram juntas para ocultar do governo e da sociedade as falhas de segurança da mina onde ocorreu o desastre.

Enquanto a Vale era estatal, não ocorreu nenhum desastre ambiental dessa magnitude.

Privatizar a Petrobras é repetir as tragédias que aconteceram com a Vale. Lembre-se: estatais têm controle da sociedade e compromisso com as comunidades onde estão inseridas. Empresas privadas têm compromisso apenas com o lucro.

Veja também Mais que energia: petróleo e gás são estratégicos para um projeto de nação

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