Na contramão do mundo, governo faz Petrobras abrir mão de energias limpas

NaContraMãodoMundoRenovavel_EpetrobrasHá alguns anos questões relacionadas à preservação do meio ambiente passaram a ser cada vez mais importantes.

Se antes, empresas e políticos sequer tocavam no tema, hoje a pauta é uma preocupação, e o desenvolvimento sustentável é uma das principais questões do presente e do futuro.

Inserida neste contexto, a Petrobras sempre foi uma empresa que buscou diversificar suas frentes de atuação, deixando de se concentrar apenas na exploração do petróleo para também investir em fontes de energia ambientalmente mais limpas, como os biocombustíveis e a energia eólica, especialmente a partir de 2003.

Acontece que, desde a subida de Michel Temer ao poder em 2016 e agora com Jair Bolsonaro, a política adotada para a Petrobras é a de reduzir ao máximo a atuação da estatal em outras atividades que não sejam a exploração e a venda de petróleo cru.

Energia limpa

Desde o início de 2021, a Petrobras já concluiu a venda de suas usinas de energia eólica no Complexo do Mangue Seco, no Rio Grande do Norte, para fundos de investimentos. Com quatro usinas eólicas, o Complexo tem capacidade instalada de 104 megawatts.

Além disso, a estatal incluiu sua subsidiária de biocombustíveis (a PBio) no “plano de desinvestimentos” da empresa. Ou seja, após anos de investimentos, a Petrobras também irá vender essas estruturas de operação para a iniciativa privada.

Atualmente, a Petrobras já não tem mais nenhuma participação em parques eólicos e suas iniciativas no segmento de geração de energia limpa estão cada vez mais reduzidas.

Trata-se de uma escolha política e econômica, que abre mão de outras possibilidades de produção de energia (e nas quais a Petrobras já tinha capacidade produtiva) para focar em apenas uma atividade de maior impacto ambiental, o que vai na contramão do que têm feito outras petrolíferas ao redor do mundo.

No mundo, o investimento é verde

Quando olhamos para os exemplos internacionais, o que se vê é o movimento de grandes petrolíferas na diversificação de atividades e ampliação dos investimentos em energias renováveis, seja por meio do financiamento de pesquisas e projetos ou avançando em projetos operacionais próprios, longe da uniformização das atividades que a Petrobras propõe.

A empresa francesa Total, por exemplo, anunciou que, em 2021, deve iniciar a operação da sua primeira usina solar de larga escala, no Catar, com capacidade produtiva de 800 megawatts, após um investimento de US$ 500 milhões. Já a anglo-holandesa Shell planeja direcionar nos próximos anos 10% de seus investimentos apenas para o setor de renováveis.

Além dos ganhos de produtividade e possibilidade de ampliação dessas empresas, os investimentos em fontes energeticamente limpas estão alinhados com compromissos de longo-prazo, especialmente de redução de emissão de carbono nas próximas décadas.

É uma pauta tão importante, que até mesmo bancos e instituições de financiamento hoje levam em consideração a questão ambiental na hora de selecionar as empresas ou os governos parceiros.

Ao fazer a Petrobras abrir mão do investimento em energia limpa, o governo brasileiro não só está na contramão do mundo na questão ambiental, como também faz o país perder a oportunidade de utilizar a capacidade produtiva da empresa e suas subsidiárias para o desenvolvimento econômico nacional, incrementar cadeias produtivas e gerar emprego e renda aos trabalhadores do país.

 

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