“Passando a boiada”: venda da Petrobras Biocombustível (PBIO) na pandemia é estratégia para não chamar a atenção

Em maio de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a gravação de uma reunião entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e seus ministros, ocorrida em abril de 2020.

Na época, o planeta inteiro já lidava com os impactos da pandemia do novo Coronavírus e uma das propostas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi aproveitar que a imprensa estava focada na crise sanitária para alterar regras que poderiam ser contestadas na Justiça sem que ninguém percebesse.

“Precisa haver um esforço nosso aqui, enquanto estamos neste momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, afirmou o ministro.

E assim tem sido feito: o governo está se valendo da crise sanitária para avançar sobre o meio ambiente, e também para entregar o patrimônio nacional e vender a Petrobras. Dessa forma, embora possa ser interpretada como inconstitucional, a privatização passa despercebida.

 

A venda da Petrobras Biocombustível S.A.

O governo brasileiro tem comprovado frequentemente a falta de compromisso com o próprio país. A liquidação de ativos e subsidiárias da Petrobras é uma prova de que os interesses privados estão acima das necessidades coletivas.

A venda da Petrobras Biocombustível S.A (PBIO) é um desses passos injustificáveis que ferem a soberania nacional e limitam o crescimento do país. Segundo a própria gestão da companhia, a PBIO:

  • Terá crescimento expressivo de 25% do mandato de mistura de biodiesel nos próximos 3 anos;
  • É porta de entrada e de expansão no terceiro maior mercado de biodiesel do mundo;
  • Possui três plantas de produção (Bahia, Ceará e Minas Gerais), todas com localização estratégica;
  • Oferece acesso privilegiado aos mercados brasileiros das regiões Sudeste e Nordeste.

A venda da PBIO será um excelente negócio para os compradores, mas causará um rombo imenso ao Brasil – sobretudo porque o preço do ativo está desvalorizado, devido à crise.

E mais: uma vez que o Governo Federal quer restringir a estatal à exploração do Pré-sal, deveria manter as atividades que oferecem compensação ao meio ambiente. Neste caso, a produção de biocombustíveis da PBIO é altamente valorosa: é lucrativa, tem mercado em expansão, e seu produto é naturalmente menos poluente e reduz as emissões nocivas dos derivados de petróleo.

Contudo, com a lógica de “passar a boiada”, teremos tudo o que o Brasil não precisa: o derretimento de uma estatal estratégica, a destruição do meio ambiente, e o país na contramão das nações desenvolvidas.

 

 

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